Quando meus músculos já doem, e a vontade de mover meus dedos e exercitar meu cérebro é quase nula, uma única e quase irracional vontade de escrever nessa birosca me leva a superar todo o nível etílico que se encontra em meu ser devido a algumas cervejas tomadas há algumas horas atrás...
Pois é, que maravilha é a vida escolar! Esse agora é o ultimo fim de semana antes de voltar para o regime semi-aberto de vida.
Mas nem tudo tem seu lado ruim, tirando a insuportável rotina de acordar as 7:15 da manhã (e se manter acordado nas horas subseqüentes), os funcionários sempre "suuuper" gente boas, típicos de um colégio católico-carola (como diretora Irmã Carmem de um metro e meio com voz nordestina que lembra o Mestre Yoda, o Hamilton, inspetor que lembra o Maguila, ente outras figuras inerraráveis) e aquele bom humor que só a obrigação estudantil pode dar, temos os lados bons da vida!
Minha maioridade - aleluia, amém - está finalmente chegando, meus pais – aleluia, amém – estão finalmente indo embora, viajando durante quase um mês para o outro lado do nosso continente, e um período de Pax Caseira se aproxima entre muita animação e perigosas liberdades...
É amigos, nem só de pão vive o homem, também vive-se de vinho, vodca e outros destilados/fermentados que engrandecem e alegram nossa vida!
E enquanto voltamos às aulas, destilamos a alegria de poder aproveitar um início de bimestre regado a liberdades individuais garantidas, fermentadas por um comprometimento duvidoso com as diretrizes paternas previamente deixadas em solo tupiniquim.
E que venha agosto!
PS: Não podendo de deixar registrado aqui, os meus parabéns pra um amigo, um irmão meu que hoje atinge a maiorida – aleluia, amém – há exatamente uma semana antes que eu! Boa sorte Luluka, vamos precisar dela. E viva a Soninha!
quinta-feira, 31 de julho de 2008
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Veja bem, meu bem
Mais um dia ensolarado no esquizofrênico inverno carioca.
Cá estou eu já na reta final de minhas férias em casa, ouvindo repetidamente a voz de Maria Rita interpretando os versos de Marcelo Camelo...
Apesar disso, não tem melancolia, não tem tristeza, não tem nem mesmo saudade.
Sinto-me leve, tomei há pouco tempo atrás um bom banho, a preguiça me impede de colocar uma roupa e ainda me encontro de roupão andando pela casa vazia, ainda com os versos de Camelo na cabeça, vendo a débil luz do dúbio inverno do Rio atravessar a janela da minha sala, com aquele tom opaco- translúcido iluminando os móveis quase todos de madeira escura apesar do piso e das paredes brancas.
Minto, há alguma coisa sim. Como que por um momento suspenso no ar uma expectativa paciente de algo que simplesmente não se espera. Não sei se estou conseguindo transmitir o que sinto agora, é um sentimento puramente banal, sem importância alguma, totalmente comum, mas que me é tão comum que senti sim, a necessidade de escrever embalado pela voz...
"Amor veja bem,
arranjei alguém
chamado Saudade."
Cá estou eu já na reta final de minhas férias em casa, ouvindo repetidamente a voz de Maria Rita interpretando os versos de Marcelo Camelo...
Apesar disso, não tem melancolia, não tem tristeza, não tem nem mesmo saudade.
Sinto-me leve, tomei há pouco tempo atrás um bom banho, a preguiça me impede de colocar uma roupa e ainda me encontro de roupão andando pela casa vazia, ainda com os versos de Camelo na cabeça, vendo a débil luz do dúbio inverno do Rio atravessar a janela da minha sala, com aquele tom opaco- translúcido iluminando os móveis quase todos de madeira escura apesar do piso e das paredes brancas.
Minto, há alguma coisa sim. Como que por um momento suspenso no ar uma expectativa paciente de algo que simplesmente não se espera. Não sei se estou conseguindo transmitir o que sinto agora, é um sentimento puramente banal, sem importância alguma, totalmente comum, mas que me é tão comum que senti sim, a necessidade de escrever embalado pela voz...
"Amor veja bem,
arranjei alguém
chamado Saudade."
Ultimatum!
Ultimatum ao ócio improdutivo!
São tempos de mudanças, onde os pensamentos (in)apropriados que escreverei pretendem dar enfim uma função ao ócio. Hoje, como primeira postagem coloco a segunda parte de um dos poemas mais magníficos, verdadeiros e sãos que já lí, feito no período entre guerras pelo pseudônimo de Fernando Pessoa*, cujo título também é Ultimatum.
Fora! Fora! Fora!
E se houver outros que faltem, procurem-nos por aí pra um canto!
Tirem isso tudo da minha frente!
Fora com isso tudo! Fora!
Ai! que fazes tu na celebridade, Guilherme-Segundo da Alemanha, canhoto maneta
do braço esquerdo, Bismarck sem tampa a estorvar o lume?!
Quem és tu, tu da juba socialista, David-Lloyd-George, bobo de barrete frígio feito
de Union Jacks?!
E tu, Venizelos, fatia de Péricles com manteiga, caída no chão de manteiga para
baixo?
E tu, qualquer outro, todos os outros, açorda Briand-Dato. Boselli da incompetência
ante os factos todos os estadistas pão-de-guerra que datam de muito antes da
guerra! Todos! todos! todos! Lixo, cisco, choldra provinciana, safardanagem
intelectual!
E todos os chefes de estado, incompetentes ao léu, barris de lixo virados para
baixo à porta da Insuficiência da Época!
Tirem isso tudo da minha frente!
Arranjem feixes de palha e ponham-nos a fingir gente que seja outra!
Tudo daqui para fora! Tudo daqui para fora!
Ultimatum a eles todos, e a todos os outros que sejam como eles todos!
(...)
Desfile das nações para o meu Desprezo!
Tu, ambição italiana, cão de colo chamado César!
Tu, «esforço francês», galo depenado com a pele pintada de penas! (Não lhe dêem
muita corda senão parte-se!)
Tu, organização britânica, com Kitchener no fundo do mar mesmo desde o princípio
da guerra!
Tu, cultura alemã, Esparta podre com azeite de cristismo e vinagre de
nietzschização, colmeia de lata, transbordamento imperialóide de servilismo
engatado!
Tu, Áustria-súbdita, mistura de sub-raças, batente de porta tipo K!
Tu, Von Bélgica, heróica à força, limpa a mão à parede que foste!
Tu, escravatura russa, Europa de malaios, libertação de mola desoprimida porque
se partiu!
Tu, “imperialismo” espanhol, salero em política, com toureiros de sambenito nas
almas ao voltar da esquina e qualidades guerreiras enterradas em Marrocos!
Tu, Estados Unidos da América, síntese-bastardia da baixa-Europa, alho da açorda
transatlântica nasal do modernismo inestético!
E tu, Portugal-centavos, resto da Monarquia a apodrecer República, extremaunção-enxovalho da Desgraça, colaboração artificial na guerra com vergonhas
naturais em África!
E tu, Brasil, “república irmã”, blague de Pedro-Álvares-Cabral, que nem te queria
descobrir!
Ponham-me um pano por cima de tudo isso!
Fechem-me isso à chave e deitem a chave fora!
Onde estão os antigos, as forças, os homens, os guias, os guardas?
Vão aos cemitérios, que hoje são só nomes nas lápides!
Agora a filosofia é o ter morrido Fouillée!
Agora a arte é o ter ficado Rodin!
Agora a literatura é Barrès significar!
Agora a política é a degeneração gordurosa da organização da incompetência!
(...)
Agora é a guerra, jogo do empurra do lado de cá e jogo de porta do lado de lá!
Sufoco de ter só isto à minha volta!
Deixem-me respirar!
Abram todas as janelas!
Abram mais janelas do que todas as janelas que há no mundo!
*Álvaro de Campos
São tempos de mudanças, onde os pensamentos (in)apropriados que escreverei pretendem dar enfim uma função ao ócio. Hoje, como primeira postagem coloco a segunda parte de um dos poemas mais magníficos, verdadeiros e sãos que já lí, feito no período entre guerras pelo pseudônimo de Fernando Pessoa*, cujo título também é Ultimatum.
Fora! Fora! Fora!
E se houver outros que faltem, procurem-nos por aí pra um canto!
Tirem isso tudo da minha frente!
Fora com isso tudo! Fora!
Ai! que fazes tu na celebridade, Guilherme-Segundo da Alemanha, canhoto maneta
do braço esquerdo, Bismarck sem tampa a estorvar o lume?!
Quem és tu, tu da juba socialista, David-Lloyd-George, bobo de barrete frígio feito
de Union Jacks?!
E tu, Venizelos, fatia de Péricles com manteiga, caída no chão de manteiga para
baixo?
E tu, qualquer outro, todos os outros, açorda Briand-Dato. Boselli da incompetência
ante os factos todos os estadistas pão-de-guerra que datam de muito antes da
guerra! Todos! todos! todos! Lixo, cisco, choldra provinciana, safardanagem
intelectual!
E todos os chefes de estado, incompetentes ao léu, barris de lixo virados para
baixo à porta da Insuficiência da Época!
Tirem isso tudo da minha frente!
Arranjem feixes de palha e ponham-nos a fingir gente que seja outra!
Tudo daqui para fora! Tudo daqui para fora!
Ultimatum a eles todos, e a todos os outros que sejam como eles todos!
(...)
Desfile das nações para o meu Desprezo!
Tu, ambição italiana, cão de colo chamado César!
Tu, «esforço francês», galo depenado com a pele pintada de penas! (Não lhe dêem
muita corda senão parte-se!)
Tu, organização britânica, com Kitchener no fundo do mar mesmo desde o princípio
da guerra!
Tu, cultura alemã, Esparta podre com azeite de cristismo e vinagre de
nietzschização, colmeia de lata, transbordamento imperialóide de servilismo
engatado!
Tu, Áustria-súbdita, mistura de sub-raças, batente de porta tipo K!
Tu, Von Bélgica, heróica à força, limpa a mão à parede que foste!
Tu, escravatura russa, Europa de malaios, libertação de mola desoprimida porque
se partiu!
Tu, “imperialismo” espanhol, salero em política, com toureiros de sambenito nas
almas ao voltar da esquina e qualidades guerreiras enterradas em Marrocos!
Tu, Estados Unidos da América, síntese-bastardia da baixa-Europa, alho da açorda
transatlântica nasal do modernismo inestético!
E tu, Portugal-centavos, resto da Monarquia a apodrecer República, extremaunção-enxovalho da Desgraça, colaboração artificial na guerra com vergonhas
naturais em África!
E tu, Brasil, “república irmã”, blague de Pedro-Álvares-Cabral, que nem te queria
descobrir!
Ponham-me um pano por cima de tudo isso!
Fechem-me isso à chave e deitem a chave fora!
Onde estão os antigos, as forças, os homens, os guias, os guardas?
Vão aos cemitérios, que hoje são só nomes nas lápides!
Agora a filosofia é o ter morrido Fouillée!
Agora a arte é o ter ficado Rodin!
Agora a literatura é Barrès significar!
Agora a política é a degeneração gordurosa da organização da incompetência!
(...)
Agora é a guerra, jogo do empurra do lado de cá e jogo de porta do lado de lá!
Sufoco de ter só isto à minha volta!
Deixem-me respirar!
Abram todas as janelas!
Abram mais janelas do que todas as janelas que há no mundo!
*Álvaro de Campos
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