quinta-feira, 7 de maio de 2009

Rio Branco Arrondissement (parte II)

Por estar na frente, fora fotografado pelos fotógrafos. Talvez pelo chapéu de bobo da corte que suas irmãs deram-no após uma viagem à Praga, talvez pela ruiva que levava com o braço insistentemente erguido a bandeira do Brasil – numa dúvida em que segurar, a faixa ou a bandeira.
Pessoas paravam de trabalhar em seus escritórios no Centro da Cidade e iam para as janelas. Era olhar para cima e ver os vertiginosos arranha-céus com suas mil janelas, com mil cabeças curiosas, que ovacionavam jogando papel picado, num espetáculo de vozes, cores e força que mostrou uma juventude muito menos alienada do que se falava.

Fez-se um minuto de silêncio em frente ao STR, fez-se gritar, fez-se ouvir a voz de jovens que não queriam mais aquilo para a sua cidade. E tudo isso deu repercussão, mas caiu por terra. Uma vez galgado, o novo alcaide da São Sebastião não largaria o osso, e tinha poderes para tal.
Ainda assim foram felizes, já nostálgicos, caminhando para a Cinelândia novamente.
Lá se conheceram mais, sentaram à mesa no Amarelinho – centenário bar – discutiram política, beberam chopps, fumaram cigarros e tiveram no fundo a certeza que nada daquilo serviria para derrubar um político que tinha toda uma série de interesses por trás de sua cadeira de prefeito, mas também tinham a consciência que nada daquilo seria esquecido por quem estava lá.

Um casal que acabara de entrar na terceira idade se aproximara da mesa que só tinha agora três daquela galera toda que antes estava no bar. Viram os rostos pintados, riram, deram apoio e pagaram a conta de infindáveis chopps e batatas fritas pedidas.
Ao saírem, os três riam satisfeitos... E olhando um para o outro disseram quase ao mesmo tempo:

- Vamos pedir tudo de novo?!

Assim beberam e comeram duplamente. A ruiva contando sua vida, o rapaz calado divagando sobre sexo e o rapaz que deixara de ir à aula falando de cinema...

E naquele momento a Cinelândia parecia-lhes indescritivelmente, Paris.

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