Começara explanando de forma assustadoramente brilhante sua teoria, compreendi uma nova pessoa a minha frente. A eloqüência um pouco confusa de sua tese penetrava como que desvirginando uma cortina de opiniões anteriores; para ela as três dimensões sob qual vivemos não são àquelas convencionais.
Segundo ela, a primeira dimensão é o físico – o corpo.
A segunda é a mente – intelecto.
E a terceira é a alma – o espírito, mas não a essência.
Cada qual convive de forma harmoniosa e trabalhando equitativamente de forma conjunta. Esse movimento sincronizado de simultaneidade é o que nos traz a Realidade. O produto das três dimensões é a própria Realidade segundo nossa percepção.
Mas quando nós – cansados dessa realidade às vezes enfadonha – nos deixamos divagar sob efeito de substâncias que alteram essa nossa percepção (o que era o caso da doutoranda), acabamos por ver as três dimensões de forma plena e esse esforço é algo tão sobre-humano que nos faz retornar ao conforto da Realidade anterior; nos acomodamos a fim de vivenciar a realidade desnuda de outras possibilidades.
Por fim, mijou-se ela de tanto rir no chão da calçada. Mas como aquilo poderia interferir em tudo que aconteceu? Absolutamente, mesmo a esdrúxula cena dela se limpando com seu casaco branco – no meio da rua – não fez diminuir toda minha surpresa ante à novidade.
E eis que leio essa mensagem, Ipsis litteris:
“Caralho Pedro, me mijei descobrindo a vida ! Ainda estou possuída e não quero mais isso ! Deixe-nos acomodados na realidade crua e suscetível a falhas, deixe-a falha ! O pecado humano é bom afinal, hehe...
Portanto lembre-me amanhã de não persistir no progresso à busca pela essência da existencialidade, talvez esse fim não seja tão feliz, afinal. Isso foi um recurso lingüístico de repetição estrutural, mas pra que porra preciso saber isso ?
Essa sociedade ainda há de matar-me.
Ah, puta que pariu, estou me enojando.
Cambio, desligo.”
Agradecimentos ao protagonismo de Brenda Montébrio.
quarta-feira, 26 de maio de 2010
domingo, 9 de maio de 2010
O açafrão derramado e a foda que não foi
Maneco acabara de tomar seu banho. Descendo as escadas para desligar a insistente bomba – afinal já eram quase 7 da manhã – ficara indeciso sobre o que beber:
entre um chá ou um whisky, optou pelo segundo.
Abriu seu caderno e aquele rapaz que praticamente tinha um texto formado, de repente esquecera-se de tudo, a noite fora inerrarável.
Mas deixara correr sua escrita em pensamentos... como estes;
Encontrara-se com um grande amigo, sua namorada e a amiga da namorada num bar praticamente... plebeu.
Depois de um tempo, foram todos para sua casa e ao som de um vibrante jazz das antigas, bebiam seus whiskys e entretinham-se entre si. O amigo com a namorada e Maneco com sua convidada, afinal o anfitrião deveria fazer as honras da casa entre tais pensamentos difusos e convites lascivos da ciceroneada.
Nesse ínterim, depois de algumas frustradas tentativas de preparar adequadamente o consumo do açafrão, decidiram-se por degustá-lo no narguille, um special blend que certamente não afetaria o sono dos pais de Maneco, que esperavam no profundo sonho o conseqüente Dia das Mães.
O grande amigo e a namorada deixaram ambos sozinhos, entrando por um fortuito taxi e partindo para casa.
Conseguiram depois de algumas tentativas acender o narguille e após a menina ter passado do balcão para o colo de Maneco, o narguille ficara de lado, derramando açafrão por toda a bancada e queimando a menina não somente nas costas.
Foram para o quarto do rapaz, a Shiva que sua mãe lhe trouxera da longínqua Índia testemunhava de cima da papeleira o delírio dos Homens.
Mas como em um ímpeto, a menina se recompora, tateava os restos de sua roupa e decidira parar quase nos finalmentes...
Estava tarde, estava tarde! Era o que dizia... Mas parecia estar em mil lugares com mil vontades; lutava uma batalha tríplice entre a real vontade dela mesma, o Desejo de acabar o começado e a real dimensão das horas no relógio.
Depois de diversos vai-não-vai, vestira sua bota e descera as antigas escadas deixando pra trás um quarto com uma embaraçada Shiva e com camisinhas jogadas por sobre a mesa de cabeceira que já pertencera ao Copacabana Palace ainda na nos tempos dos Guingle.
Maneco - ainda desconcertado pela ebriedade de sua convidada e otras cositas mas – fora atrás da incauta menina que deixara um rastro perceptível de fêmea em seu caminho. A louca queria entrar em um taxi ou ir andando até a Praia de Botafogo completamente transtornada e consideravelmente bagunçada enquanto Maneco – talvez mais louco ainda – fora atrás da mesma após colocar sobre a samba-canção uma bermuda.
- Nossa, você é muito careta, seu idealista!
Dizia ela andando na deserta rua que via o amanhecer.
- Porra... careta, careta!? Olha aqui, olha pro meu pé! Olha o idealista descalço que nem um alucinado pelas ruas de Botafogo, só pra te acompanhar!
E mesmo antes de acabar de dizer tais palavras, riu-se vendo a moça andar na calçada ensaiando passos de ballet de forma leve e despretensiosa, qualidade que Maneco já havia tomado conhecimento em acrobacias não tão públicas.
E um taxi enfim parara, o descalço fidalgo abria a porta de um Santana velho para a donzela ébria de suas certezas; e voltando para casa ria-se de toda aquela loucura!
Um cansado e já senhor habitante das ruas (senhor do céu que era seu único teto) pedira o cigarro de Maneco para acender um baseado e trocando meia dúzias de palavras sobre a noite totalmente singular de ambos foram para seus opostos caminhos.
Despediram-se, Maneco com a cabeça totalmente confusa – a moça de mil faces, que não a dela, poderia ocupar um espaço além da conta? – e o habitante do asfalto com a cabeça feita.
“A única certeza é que agora tenho um whisk aguado e uma noite de possibilidades demi-bombé muito louca.", pensou consigo mesmo dando seu ultimo gole de scotch acendendo seu ultimo cigarro do dia e assinando sua ultima declaração em seu caderno público...
...E por fim voltou para sua alcova quase intacta de tudo que não foi, descansando no sono as tantas histórias non-sense que até então presenciara.
entre um chá ou um whisky, optou pelo segundo.
Abriu seu caderno e aquele rapaz que praticamente tinha um texto formado, de repente esquecera-se de tudo, a noite fora inerrarável.
Mas deixara correr sua escrita em pensamentos... como estes;
Encontrara-se com um grande amigo, sua namorada e a amiga da namorada num bar praticamente... plebeu.
Depois de um tempo, foram todos para sua casa e ao som de um vibrante jazz das antigas, bebiam seus whiskys e entretinham-se entre si. O amigo com a namorada e Maneco com sua convidada, afinal o anfitrião deveria fazer as honras da casa entre tais pensamentos difusos e convites lascivos da ciceroneada.
Nesse ínterim, depois de algumas frustradas tentativas de preparar adequadamente o consumo do açafrão, decidiram-se por degustá-lo no narguille, um special blend que certamente não afetaria o sono dos pais de Maneco, que esperavam no profundo sonho o conseqüente Dia das Mães.
O grande amigo e a namorada deixaram ambos sozinhos, entrando por um fortuito taxi e partindo para casa.
Conseguiram depois de algumas tentativas acender o narguille e após a menina ter passado do balcão para o colo de Maneco, o narguille ficara de lado, derramando açafrão por toda a bancada e queimando a menina não somente nas costas.
Foram para o quarto do rapaz, a Shiva que sua mãe lhe trouxera da longínqua Índia testemunhava de cima da papeleira o delírio dos Homens.
Mas como em um ímpeto, a menina se recompora, tateava os restos de sua roupa e decidira parar quase nos finalmentes...
Estava tarde, estava tarde! Era o que dizia... Mas parecia estar em mil lugares com mil vontades; lutava uma batalha tríplice entre a real vontade dela mesma, o Desejo de acabar o começado e a real dimensão das horas no relógio.
Depois de diversos vai-não-vai, vestira sua bota e descera as antigas escadas deixando pra trás um quarto com uma embaraçada Shiva e com camisinhas jogadas por sobre a mesa de cabeceira que já pertencera ao Copacabana Palace ainda na nos tempos dos Guingle.
Maneco - ainda desconcertado pela ebriedade de sua convidada e otras cositas mas – fora atrás da incauta menina que deixara um rastro perceptível de fêmea em seu caminho. A louca queria entrar em um taxi ou ir andando até a Praia de Botafogo completamente transtornada e consideravelmente bagunçada enquanto Maneco – talvez mais louco ainda – fora atrás da mesma após colocar sobre a samba-canção uma bermuda.
- Nossa, você é muito careta, seu idealista!
Dizia ela andando na deserta rua que via o amanhecer.
- Porra... careta, careta!? Olha aqui, olha pro meu pé! Olha o idealista descalço que nem um alucinado pelas ruas de Botafogo, só pra te acompanhar!
E mesmo antes de acabar de dizer tais palavras, riu-se vendo a moça andar na calçada ensaiando passos de ballet de forma leve e despretensiosa, qualidade que Maneco já havia tomado conhecimento em acrobacias não tão públicas.
E um taxi enfim parara, o descalço fidalgo abria a porta de um Santana velho para a donzela ébria de suas certezas; e voltando para casa ria-se de toda aquela loucura!
Um cansado e já senhor habitante das ruas (senhor do céu que era seu único teto) pedira o cigarro de Maneco para acender um baseado e trocando meia dúzias de palavras sobre a noite totalmente singular de ambos foram para seus opostos caminhos.
Despediram-se, Maneco com a cabeça totalmente confusa – a moça de mil faces, que não a dela, poderia ocupar um espaço além da conta? – e o habitante do asfalto com a cabeça feita.
“A única certeza é que agora tenho um whisk aguado e uma noite de possibilidades demi-bombé muito louca.", pensou consigo mesmo dando seu ultimo gole de scotch acendendo seu ultimo cigarro do dia e assinando sua ultima declaração em seu caderno público...
...E por fim voltou para sua alcova quase intacta de tudo que não foi, descansando no sono as tantas histórias non-sense que até então presenciara.
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