Começara explanando de forma assustadoramente brilhante sua teoria, compreendi uma nova pessoa a minha frente. A eloqüência um pouco confusa de sua tese penetrava como que desvirginando uma cortina de opiniões anteriores; para ela as três dimensões sob qual vivemos não são àquelas convencionais.
Segundo ela, a primeira dimensão é o físico – o corpo.
A segunda é a mente – intelecto.
E a terceira é a alma – o espírito, mas não a essência.
Cada qual convive de forma harmoniosa e trabalhando equitativamente de forma conjunta. Esse movimento sincronizado de simultaneidade é o que nos traz a Realidade. O produto das três dimensões é a própria Realidade segundo nossa percepção.
Mas quando nós – cansados dessa realidade às vezes enfadonha – nos deixamos divagar sob efeito de substâncias que alteram essa nossa percepção (o que era o caso da doutoranda), acabamos por ver as três dimensões de forma plena e esse esforço é algo tão sobre-humano que nos faz retornar ao conforto da Realidade anterior; nos acomodamos a fim de vivenciar a realidade desnuda de outras possibilidades.
Por fim, mijou-se ela de tanto rir no chão da calçada. Mas como aquilo poderia interferir em tudo que aconteceu? Absolutamente, mesmo a esdrúxula cena dela se limpando com seu casaco branco – no meio da rua – não fez diminuir toda minha surpresa ante à novidade.
E eis que leio essa mensagem, Ipsis litteris:
“Caralho Pedro, me mijei descobrindo a vida ! Ainda estou possuída e não quero mais isso ! Deixe-nos acomodados na realidade crua e suscetível a falhas, deixe-a falha ! O pecado humano é bom afinal, hehe...
Portanto lembre-me amanhã de não persistir no progresso à busca pela essência da existencialidade, talvez esse fim não seja tão feliz, afinal. Isso foi um recurso lingüístico de repetição estrutural, mas pra que porra preciso saber isso ?
Essa sociedade ainda há de matar-me.
Ah, puta que pariu, estou me enojando.
Cambio, desligo.”
Agradecimentos ao protagonismo de Brenda Montébrio.
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Um comentário:
Pêeeeeeeeeeeeedu!
Meu rapaz, deu gosto de ler. Você não cansa de filosofar - e aqui tem todo direito, que se fodam as redações agora.
Adicionar-te-ei nesta budega que nomeamos de blog, que não serve para mais nada além de criar.
Um grande abraço Pêdu.
PS: Você me deve um chopp.
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