quarta-feira, 26 de maio de 2010

Tratado.

Começara explanando de forma assustadoramente brilhante sua teoria, compreendi uma nova pessoa a minha frente. A eloqüência um pouco confusa de sua tese penetrava como que desvirginando uma cortina de opiniões anteriores; para ela as três dimensões sob qual vivemos não são àquelas convencionais.
Segundo ela, a primeira dimensão é o físico – o corpo.
A segunda é a mente – intelecto.
E a terceira é a alma – o espírito, mas não a essência.

Cada qual convive de forma harmoniosa e trabalhando equitativamente de forma conjunta. Esse movimento sincronizado de simultaneidade é o que nos traz a Realidade. O produto das três dimensões é a própria Realidade segundo nossa percepção.
Mas quando nós – cansados dessa realidade às vezes enfadonha – nos deixamos divagar sob efeito de substâncias que alteram essa nossa percepção (o que era o caso da doutoranda), acabamos por ver as três dimensões de forma plena e esse esforço é algo tão sobre-humano que nos faz retornar ao conforto da Realidade anterior; nos acomodamos a fim de vivenciar a realidade desnuda de outras possibilidades.

Por fim, mijou-se ela de tanto rir no chão da calçada. Mas como aquilo poderia interferir em tudo que aconteceu? Absolutamente, mesmo a esdrúxula cena dela se limpando com seu casaco branco – no meio da rua – não fez diminuir toda minha surpresa ante à novidade.

E eis que leio essa mensagem, Ipsis litteris:

“Caralho Pedro, me mijei descobrindo a vida ! Ainda estou possuída e não quero mais isso ! Deixe-nos acomodados na realidade crua e suscetível a falhas, deixe-a falha ! O pecado humano é bom afinal, hehe...
Portanto lembre-me amanhã de não persistir no progresso à busca pela essência da existencialidade, talvez esse fim não seja tão feliz, afinal. Isso foi um recurso lingüístico de repetição estrutural, mas pra que porra preciso saber isso ?
Essa sociedade ainda há de matar-me.
Ah, puta que pariu, estou me enojando.
Cambio, desligo.”

Agradecimentos ao protagonismo de Brenda Montébrio.

Um comentário:

Gui Pontes disse...

Pêeeeeeeeeeeeedu!

Meu rapaz, deu gosto de ler. Você não cansa de filosofar - e aqui tem todo direito, que se fodam as redações agora.

Adicionar-te-ei nesta budega que nomeamos de blog, que não serve para mais nada além de criar.

Um grande abraço Pêdu.

PS: Você me deve um chopp.