Fico me perguntando, "cadê aquele cara cheio de amigos, cheio de histórias engraçadas pra contar"?
As histórias ainda estão aqui, quando eu quero e convém eu as conto, até mesmo dou risadas e me divirto com as lembranças. Mas muitas das personagens que estavam nelas nem mais de amigos posso chamar. Hoje são como retratos em sépia. Nada além de lembranças amareladas - resquícios de um passado não tão distante - que um dia protagonizaram alguns momentos.
Sei que hoje eles ainda lembram de mim. Sei que guardam boas lembranças (até mesmo por manter contato ínfimo com alguns deles), tenho até mesmo a noção que sou lembrado entre eles como uma “figurassa”, daqueles que contam e recontam as minhas antigas histórias mais “famosas”.
Mas é isso. É isso?
Minha amizade, meu prestígio, onde estão? Sem dúvidas, é bom saber que se é lembrado dessa forma, mas preferiria mil vezes ter ainda meu prestígio, a proximidade e poder chamá-los de amigos.
Não tem ressentimento nessas palavras, só há um sincero desabafo.
Não faço mais questão de tê-los na estima que tinha antes. As coisas mudam, o tempo passa e eu passei. Mais tarde, quando uns decaírem, alguns manterão o status quo e outros até mesmo ascenderão, e talvez todos se esqueçamos da maior parte das lembranças.
Mas não vou me arrepender disso. Tentei e não houve retorno, paramos por aí.
Posso dizer que me sinto um peixe fora d’água, que não pertenço mais a nada, não tenho mais identificação com coisa alguma.
E que nessa liberdade solitária, novas possibilidades se abrem, não menos penosas e com aparentes péssimas perspectivas – devo admitir.
Preciso encontrar novos amigos. Botem placas, outdoors e panfletos!
Pois à ambigüidade, o cinismo e o laissez-faire das Altas Rodas, prefiro a solidez de algo despretensioso, que em detrimento de glamurosas "amizades" de sobrenomes conhecidos, ainda pode-se dizer que possuo a certeza da rara e preciosa consideração dos que ainda considero.
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5 comentários:
Pedroca, posso dizer que o que estou sentindo é exatamente isso, eu me identifiquei muito com esse texto e acredito que não sou a única.É incrível , o tempo passa mas a minha consideração pelas pessoas continua sendo a mesma,pessoas que me faziam feliz no passado, por mais que não estejam mais presente na minha vida o que sinto por elas não mudou e eu sempre achei que seriam essas pessoas que eu sempre chamei de amigos,eu pudesse te las ao meu lado , mas vejo que infelizmente não foi assim e que talvez pra elas eu agora sou apenas uma Camilla entre outras centenas e que ficou para trás..
É isso
pessoas descartam pessoas.
somos substituíveis.
é triste.
é chato.
é feio.
é fedido.
mas é verdade...
... infelizmente ;/
Difrente dos dois comentários acima, o meu nao diz que sente o mesmo nem que pessoas sao substituiveis. Tudo acontece de forma que nao controlamos quem entra e sai das nossas vidas mas temos a opção de guardar ou esquecer lembranças daquela pessoa, que foi o que voce escreveu. Por outro lado, existe uma questão de que não é só voce que tem lembranças, no mínimo aqueles de quem vc lembra também lembram de voce. e nao só de voce, mas também de muitos outros "amigos com histórias" que passaram nas vidas deles. Por isso, nao tem porque ter medo, pois quem um dia foi sem amigo, até hoje sabe disso. Quem um dia foi seu amigo até hoje sabe que computador pode pegar vírus que vem da janela...
nao é de um Pedro assim que se esquece... nao mesmo.
perfeito.
É a triste verdade..mas é um ciclo né, sempre acontecerá.. e a gente continua seguindo.
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