Um calor infernal; um chá feito péssimamente mal; uma merda de uma luz fraca que deixa o ambiente em uma penumbra irritante.
Esses são alguns fatores que contribuem para meu atual estado de espírito.
Engraçado pensar que ontem mesmo minha cabeça era outra. Por mais que tenha estado consciente do cu de vida que venho levando, a empolgação com esse Blog semi-moribundo (sei que quase ninguém lê isso aqui...) e cativantes idéias de escrever sobre minha atual compulsão com a leitura, tinham me animado.
Bem, a postagem sobre a leitura fica pra outro dia. Pelo menos em parte.
Escrevendo o esboço dessa postagem aqui, cheguei a conclusão que talvez eu esteja mergulhado e envolvido de maneira tão intensa com a leitura justamente para tentar me abstrair. Sorvendo página à página eu esqueço, um pouco, tudo que me ronda. E devido à escassez de amigos, de amores e de compromisso, a leitura é o que me resta.
Me impressiona a habilidade que eu tenho de buscar a felicidade. Eu vivo atrás dela incansavelmente. Mesmo no fundo do poço, mesmo tendo me fodido de verde e amarelo eu ainda busco-a no mais inacreditável otimismo que as circunstâncias podem permitir.
Não quer dizer que não tenha meus momentos de infelicidade, tenho sim. Mas costumo logo a recuperar-me, ainda que os versos de Vinícius custem a sair da cabeça dizendo,
“Tristeza não tem fim, felicidade sim.”
Pode-se resumir meus momentos atuais em ápices, síncopes bipolares de humor. Alterno entre o mais profundo otimismo – ainda que nadando envolto por excrementos – e a maior sensação de impotência.
Quem dera eu que um milagroso remedinho azul resolvesse-a. Alias, disposição quanto à esse tipo de impotência não me falta, visto que minha vida amorosa (se é que ainda tenho uma) está um lixo e consequentemente “energia” para a tal coisas é o que sobra.
Impotência no sentido de estar com as mãos atadas, de ter atingido o ponto de usar clichês baratos como “cheguei ao fundo do poço”, como vocês podem constatar acima.
Uma das poucas coisas que me resta - além da leitura e desse blog - são ótimas conversas, desabafos e identificações que venho tendo inesperadamente com uma desconhecida (que se torna cada vez mais conhecida) que mora em outro estado e que sempre dispõem de uma sanidade e estado de espírito cativantes.
Nesse ínterim, minha criatividade e inspiração (ou a falta dela) estão acabando junto com o chá forte e amargo que está esfriando na xícara à minha frente.
Alguns acreditam na arte de ler a Sorte na borra de chá que fica como resquício na xícara.
Sou um analfabeto nessas leituras, mas se pudesse conjurar dos livros de Isabel Allende sua avó vidente, a Memé, acho que ela me olharia e diria para retomar as rédeas da minha vida novamente.
E sabemos que Memé não erra, não é Isabel?
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2 comentários:
cu de vida + empolgação com blog + desconhecida no msn = a uma matemática diretamente proporcional à solidão...
encontro-me na mesma situação
haha
mto bom! palavrões deixam seus textos com uma poesia ainda maior :D
clap clap clap!
:**
Isso tudo para no dia seguinte voce estar feliz..
ou triste..
ou feliz,
ou apático...
É. nao faz sentido. Nada faz. é tipo uma bola...
"Existir não é lógico" Clarice Lispector
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