Manuel estava definitivamente tranqüilo.
Certas situações desagradáveis e algumas porradas que a vida dá sempre acabam acrescentando experiências, e a liberdade do descompromisso que deram à Manuel tinha deixado-o bastante satisfeito.
Ele simplesmente não se importava mais. Sabia que se comparecesse iria ser legal, tomaria umas e outras com os “velhos amigos”, exerceria a arte de ver e ser visto, e no dia seguinte sequer dariam um telefonema.
Estaria ébrio pelas bebidas caras que tomou no bar, no dia seguinte juraria que nunca mais beberia daquela forma, exatamente como jurou que não prestigiaria mais aqueles babacas, tantas e tantas vezes.
Mas uma coisa mudou e Manuel, entre pílulas de plasil, engov e novalgina (que guardava na carteira com o infame nome de kit-manguaça), já não percebera que mesmo estando lá não prestigiaria ninguém.
Ele estava lá e pronto, o apreço tinha sumido tal qual o sentido de tantos nomes empoeirados na sua agenda.
- Maneco, Maneco... – pensava ele – Você sabe que há a chance de não ir naquela pocilga dispendiosa e sequer dar qualquer satisfação no dia seguinte, e mesmo assim faz suposições do contrário no futuro do pretérito.
- Na boa? Vamos é nos esconder ou beber com os amigos com um taco de boteco na mão, que de barões escrotos eu já me enchi! – Disse ele parando de escrever qualquer coisa em seu caderno público....
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Um comentário:
esse é vc!
sensacional
:**
Postar um comentário